SINA DE UM PEIXE DO CUNIÃ
balança ao vento?
não parece.
ela e seu gancho firme
apenas registra valores.
não lhe pesa o destino?
simples e leve lhe é a sina.
não estaria ali, no Cuniã, perdida?
quem encontra com o
próprio destino sempre
consigo mesmo
há de estar.
assim refletia o peixe
com suas escamas
ainda úmidas...
no tamanho e tempo certo
seguirá o peixe rumo à mesa
pelas mãos hábeis da cozinheira.
valerá o que pesa este peixe?
a depender do tempero e
daqueles que o compartilharão
valerá ter esperado a festa
de comer dele todo o pirão.
na festa, no encontro dos amigos
aquele em breve se fará memória
e o seu sabor muitas vezes,
em palavras, ressuscitará...
o peixe capturado e levado
fitou a balança e pediu que
ela cumprisse com devoção
o seu nobre e necessário dever.
deixou pender todo o seu peso
e fechando os olhos do coração
imaginou-se no doce calor, em
meio ao molho, no caldeirão...
Texto:Abel Sidney
foto: Gean Carla Sganderla
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