sábado, 4 de abril de 2015

SINA DE PEIXE

SINA DE UM PEIXE DO CUNIÃ

balança ao vento?
não parece.

ela e seu gancho firme
apenas registra valores.

não lhe pesa o destino?

simples e leve lhe é a sina.

não estaria ali, no Cuniã, perdida?

quem encontra com o
próprio destino sempre
consigo mesmo
há de estar.

assim refletia o peixe
com suas escamas
ainda úmidas...

no tamanho e tempo certo
seguirá o peixe rumo à mesa
pelas mãos hábeis da cozinheira.

valerá o que pesa este peixe?

a depender do tempero e
daqueles que o compartilharão
valerá ter esperado a festa
de comer dele todo o pirão.

na festa, no encontro dos amigos
aquele em breve se fará memória
e o seu sabor muitas vezes,
em palavras, ressuscitará...

o peixe capturado e levado
fitou a balança e pediu que
ela cumprisse com devoção
o seu nobre e necessário dever.

deixou pender todo o seu peso
e fechando os olhos do coração
imaginou-se no doce calor, em
meio ao molho, no caldeirão...

Texto:Abel Sidney

foto: Gean Carla Sganderla

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