domingo, 5 de abril de 2015

Um blog de fotopoesia...

Olá! Eu sou a Gean Carla, bióloga, professora, e intusiasta da fotografia. Tento traduzir as emoções em imagens na minha rotina, através do olhar fotográfico. 

Um belo dia reencontrei um amigo de ideal pelas redes sociais da vida, quando ele, ao ver algumas imagens que eu publico resolveu fazer uma poesia....

Achei aquela dialética de criação tão interessante que resolvi estimular e, as vezes, até compartilhei e marquei o Abel em algumas fotografias. Resultado: agora somos parceiros neste blog de fotopoesia.

Nosso desafio: traduzir fotografia em poesia, ou do avesso, traduzir poesia em fotografia. Uma espécie de "repente poético".

Guiados pela inspiração recíproca!

Nos acompanhem...

DANÇA

Os pingos dançavam,
reverentes e ofertavam
substrato de vida.

A cena era montada
e o cavalo a tudo
observava.

A mãe consigo levava
no coração do útero
o bebê que nadava feliz
e esperava confiante
na jornada que o aguardava.

O pai, forte sentinela, sabia
o que lhe competia naquele concerto.

A música da dança não deixava dúvida:
a vida prosseguiria com seus encantos
e aquele momento haveria de ser esse
transbordar de alegria e confiança...


texto: Abel Sidney
foto: Gean Carla

sábado, 4 de abril de 2015

SINA DE PEIXE

SINA DE UM PEIXE DO CUNIÃ

balança ao vento?
não parece.

ela e seu gancho firme
apenas registra valores.

não lhe pesa o destino?

simples e leve lhe é a sina.

não estaria ali, no Cuniã, perdida?

quem encontra com o
próprio destino sempre
consigo mesmo
há de estar.

assim refletia o peixe
com suas escamas
ainda úmidas...

no tamanho e tempo certo
seguirá o peixe rumo à mesa
pelas mãos hábeis da cozinheira.

valerá o que pesa este peixe?

a depender do tempero e
daqueles que o compartilharão
valerá ter esperado a festa
de comer dele todo o pirão.

na festa, no encontro dos amigos
aquele em breve se fará memória
e o seu sabor muitas vezes,
em palavras, ressuscitará...

o peixe capturado e levado
fitou a balança e pediu que
ela cumprisse com devoção
o seu nobre e necessário dever.

deixou pender todo o seu peso
e fechando os olhos do coração
imaginou-se no doce calor, em
meio ao molho, no caldeirão...

Texto:Abel Sidney

foto: Gean Carla Sganderla

Cores poéticas

CORES POÉTICAS



De repente, fizeram-me ver
que existem cores poéticas
que se estampam no 
próprio nome.
O amarelo-velho levou-me ao
encontro com meu avô
e seu cachecol.
A rosa-menina aos jardins,
evocando donas de casa que
partilham zelo e beleza e
tornam seus canteiros uma
antessala, uma amostra do que
lhes vai no coração.
O verde-nascendo trouxe
a certeza de outros novos
amanheceres, muito além
desses dias cinzentos,
de homens sombrios.
Por fim, o vermelho-paixão
fez-me pensar que se a vida
faz correr o sangue nas veias
é para nos lembrar que vivemos
de movimento, de impulso, de ação.
Acho que agora posso descansar
um pouco ao contemplar este
azul-entardecer tão nosso,
dos céus de Rondônia...
Salve as cores!!
Abel Sidney
14mar2015