Nunca o prazer à mesa
se revestiu de tanto
despojamento quanto
naqueles dias.
Dias de suspender as atividades
- foi o que inventamos para
nos salvar dos dias corridos
e, quase sempre, vazios.
Fugimos de casa! Eu e ela e sem
qualquer consciência de culpa.
Lá onde nos abrigamos, combinamos:
proibidos estávamos de falar sobre
coisas que pudessem lembrar
os verbos dever e fazer.
Só nos era permitido erguer os olhos
para fazê-los passear despreocupados
pelas nuvens do céu...
Numa tarde nos ofereceram chocolate.
Sentimos que era quente e doce.
Abolimos a necessidade de se
calcular calorias ou examinar
os ingredientes, na ânsia de
parecermos corretos...
Lambuzados ficamos! Bêbados
de sabores não mais desfrutados...
Ficou daquelas xícaras a certeza
de que o prazer pode ser renovado
num dia qualquer, se pararmos
pra deixar a vida nos invadir.
Texto: Abel Sidney
Foto: Gean Carla

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